domingo, 22 de maio de 2011

Vento amigo

O vento que bate no rosto
Traz sempre um rosto novo
Um recado
Traz a bela imagem do beijo não conquistado
Traz a verdade renovada
Traz o brilho antes apagado
Cuida do momento
De parte do passado
Leva a preocupação
A falta de emoção
O medo indesejável
É vento cuidadoso
Nem sempre recordado
Nem sempre respeitado
É vento que vem na calmaria
Ou na tarde agitada
Vento que surge do nada
Quando nos sentimos ameaçados
É vento puro
É ar puro
É carinho
É gesto inocente
Tudo pra gente
Como um amigo
Como um abraço

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que é?

É uma saudade
Inflando meus olhos
Descuidando meu fraco equilíbrio
É um carinho
Que sinto das suas mãos
Numa sutileza breve
É um delírio
Que tenho com sua boca
E com sua pele
É mentira no tato
E verdade no peito
É medo
É desejo
É coragem do meu pensamento
É maldade do meu sentimento
É tudo que eu tenho
E que não tenho
É a cura pra solidão intensa
É a doença lá dentro da calmaria
É como cachaça forte que não tem gosto
É como um rosto
É alegria
E também agonia
É de tudo um pouco
E nada mi alivia

Cheiro, imagem e gosto da chuva

Sou eu, com uma cor de inverno
Bem quietinho esperando a chuva passar
Bem no cantinho só pra observar
Cada gotinha cheirosa tocando o chão sujo
Vindo tudo de uma nuvem grande
Negra e cheia de energia
Um espetáculo no meio do dia
Exatamente ao meio-dia
Pegando olhares surpresos
E roupas despreparadas
Não saí correndo como outros que não tiveram tempo pra ficar
Fiquei até passar
Fiquei até o cheiro da chuva acabar

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Observar

Como poderei explicar aos meus amigos distantes
A sensação da penetração do ar mais puro em meus pulmões?
Como explicar a gratuidade de uma imensa beleza?
Que vem do chão, entrelaçando na altura dos meus olhos
E perdendo-se de minha vista
No vasto horizonte, nas nuvens mais lindas
Como pude afastar-me do concreto,
Do relógio,
De passos apressados,
De uma respiração comprometida?
De outra sonoridade, de outra vida
To compreendendo a graça do dia
A intensa calmaria,
A leveza, a clareza que isso significa

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A Grande Verdade

Estou dentro de um paraíso
Cercado por todos os meus instintos
Respirando com um grande alívio
Depois de notar as frutas cobrindo parte do chão
Estou colhendo o calor da estação
Sentindo o vento no rosto
A terra molhada mi convida
Com todo o perfume da chuva
E posso sentir seu gosto
Tento decifrar algo da visão enigmática da qual fui contemplado
Mas não sei o que dizer
A imensidão nos engole
Parecemos tão insignificantes
O menor inseto que vi, sabia exatamente por que estava ali
As plantas não foram escolhidas por ninguem
E eram as mais belas
Antes eu não conhecia a importância de uma pedra no seu verdadeiro lugar
E não é só um lugar para admirar
É tudo vida
Construída sob medida
Onde nada copiará
E minhas botas sujas de barro mi alegram
Eu encontrei a grande verdade
A simples verdade que desejo guardar