terça-feira, 28 de maio de 2013

Insuficiência.

Ter o algoz que amou em comunhão
-É triste o desejo de não que sentirás-
E do que vale a mudança de condição?
Assim revelo-me algoz de mim
Na abertura íntima indiferente
Predicando meus olhares antigos
Antes nada latentes,tudo decorado
Pincelados pelo encantamento
Agora tormentos, agora atormentados
Desprovido entendimento
Assim prendo-me em ligeiro claro
Tudo fingimento?
Sim, sinto ser, sinto-me enganado
Mas não encontro meu ser assertivo
Talvez também desiludido
Também monologado nessa crise consciente
Depois da remodelagem do pensamento
Continuo errando o mesmo lado
Destampando os mesmos furos
Causando-me enchentes e inchaços
Falta-me uma crise competente
Que acabe, finalize, mate
Meus algozes mais doentes
E liberte, renove, qualifique

Meus algozes mais cansados.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Passagem pelo desencontro

Não vejo pautada a finalidade disso
Nem onde encontro o fim vejo a finalidade
Perdurei em tanta falta de vontade
Em tanto breve alívio
Em belos discursos vazios
Que retomo pobre de espírito
Disposto a ter vaidade por indolência
De fato assim também sou maduro
Sou quieto e inoportuno
Belo e quase mudo
Sou recheio de vento
Mesmo sem ter a casca doente
Adoeço-me com o mal tempo
Nesse tempo imaturo
Antes da alvorada e da apatia
Dê-me vento e preencha-me por dentro.
Algo nisso pode tornar-se adulto.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Oculto.

Isso ou aquilo
Do sofrível ao duvidoso
Fiquei morto por um tempo

Pelo sonho grandioso
Por sentir-me pouco
Amei calado
E amei caloso

Contive-me sendo impróprio, defasado
Atormentado pelo sonho e seu descrédito
Homem tenro, indecifrado

Fui responsável
Responsabilizado
Sem respostas

domingo, 19 de maio de 2013

Dez versos que não dizem muito.

Confusão
Que sinto forte em clarões profundos
Quando a pele sente
E a minha psicologia é fraca
Minha mente dormente, penso ser demente
Mas também penso ser inteligente e confundo
Não sei se posso pensar de forma própria
Sei que não é de forma clara
Mas a deforma é clara
Clarões profundos que minha pele sente em dez versos que não dizem muito.








Em colo morno.

Sou chegado a carinho
A colo morno
Cafunés e beijos são bem-vindos
Recebo-os com semblante de carinhoso
Um abraço,
Teus braços,
De repente apaixonado
Apaixonando-te , apaixonando-os
Apaixonados, entrelaçados
Afogados em carinhos de bom gosto
No seu cheirinho, entrego-te minha mania
Ser homem acarinhado.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Campo hostil.

Aos que pretendem a troca
Devaneios líricos por moeda
Procurem ofertas obscenas
Fatos de não realidade para vocês
Peguem a moeda e troquem pelo seu nada
Tuas riquezas de batatas, vejo só batatas
Da batata dourada não come o mesmo amigo
Pois nenhum amigo come em  prato alugado
E quem fica é empregado
Se o caso for,
A procura de terras para defecarem os bois do açougue
Só a tua merda fede
E nada mais.




quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gata carinhosa.

Só penso em teu corpo para lavá-lo de língua
Com a cara nos teu pelos
Não paro de cheirar-te feito vício
Solto os miadinhos que desejas e aprecia
Sou gata no cio que provocas
Das lambidas que dou na sua orelha também sinto o choque
Fico colada
Espero a parada cardíaca toda molhada
Tua mão nos meus cabelos domina-me
Mas penso dominar-te
Só você, a droga, engana!
Meu corpo arrepia e paulatinamente esfrega-te
Não segure o gozo
Sou sua gatinha

                                                         Rosa Carvalho


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Olhar

Teu olhar é chama
Me chama
Pra dentro
Pra você
Queima roupa, queima pele
Queima a cama
Chama e queima tudo
É forte para incendiar minha cabeça
Chama para entrar
Chama para queimar
Chama que não recuso
Calor que eu procuro
Dentro de ti é ainda mais quente
Chama pelo nome e pelo corpo
Chama de louco e de safado
Chama pra mim
Me chama que eu queimo e sou queimado.