quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Anna distante(beleza, fome e alegria)

É quando o rosto e a alma compensam a falta do corpo,
E traz calma!
Vagarosa calma interpreto em paz
Quando sereno desprendo
A gulosa boca de beleza
Que me recheia com esse olhar de longe
Me come e me come
Só sei que me come
O gosto de desejo cai pela roupa e não limpa
Sou comida e fico na barriga
Feito pão
Ou pão das lombrigas
Uma inseparável amiga
Que tu alimentas todo dia
Assim me tens bem perto
E te desperto como relógio
Olhais pra um doce?
Ou só vitamina?
Fez-me homem do apetite
Se alimenta e me elogia
Num orgasmo de boca cheia
Satisfaço sua beleza,
Sua fome e sua alegria.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sem título - Henry David Thoreau

" Nunca me seja negada, ó chama radiante,
Tua solidariedade tão cara e vivificante.
Só minha esperança é que assim a altura inunda?
Só meu destino é que na noite assim se afunda?
Por que foste de nossa casa escorraçada,
Tu, sempre bem-vinda e por todos amada?
Seria tua existência mais uma fantasia
Para a ordinária luz de nossa vida vazia?
Teu vivido fulgor manterá as secretas conversas
De nossas almas afins, embora tão diversas?
Bem, estamos seguros e firmes sentados agora
Defronte da lareira, sem as sombras lá de fora,
E onde nada alegra ou entristece, mas a chama
Aquece pés e mãos — e nada mais reclama;
Dispondo de tão utilitário e compacto monte,
Podemos todos nos sentar e dormir aí defronte
Sem temer que fantasmas de obscuro passado resvalem
Até nós, e ao lusco-fusco do velho fogo a lenha,
conosco falem. "

domingo, 11 de dezembro de 2011

A pé

Pé no mundo grande homem
Tu serás deixado!
Tentastes fazer teu bem
O melhor caminho no teu passo
Tem rosto amargo na espera
Tem beijo falso na janela
E continuarás passeando
Tocando o barco com a canela
Vagando de peito aberto
Olhando firme e caminhando
Sol na cara com alegria
Pé sujo na jornada
Água limpa na bacia
Vai chegar o dia
Mediante esforço e persistência
Fincará seguro suas pernas
Sua grande obediência
Coisa de grande homem
Momento grande de um homem
Preparando a próxima despedida.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A coragem madrugada.

Na luz alta a perambular
Depois de filmes e fatos
Foi atrás
Correndo perigo
Embora sujo
Desprotegido
Foi acalmado
Seus sentimentos no corpo
Seus sonhos trancados
Um rosto cansado
Uma forte lamúria
Uma tímida loucura
O abrigo de um carro
A luz alta no asfalto
A luz alta na loucura
Um corte frio no preto
Um selvagem medo
Uma distância
Uma tortura
O sono pesado
Quase morrendo
Mantendo o controle
Mantendo-se idiota
Sobrevivendo de alimento
Sobrevivendo de passado.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Madrugaramar

Acorde-me com a lua na janela do quarto
E convide-me para um abraço
Peça-me vento, chuva e coisas do tipo
Peça-me abrigo
Pois dou mais que o pedido
E ainda te acalmo
Tudo te faço
Com jeito e carinho
Minha pele é meu carinho
É teu sono
É teu domínio
É bem tratado
É tua pele
Teu cheiro
Teu vinho
Suave, bom e distinto
Teu abrigo
Teu afago
Acorde-me com o sol na janela do quarto.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Versos íntimos ( Augusto dos Anjos )

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Sómente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

domingo, 27 de novembro de 2011

Poetisa

A poesia dos ventos
A poesia feita por ela
Soprou branda no ouvido

Ela sabe o que gosto de escutar
E sabe onde gosto de dormir
E me sopra

Completa meu copo quando me olha
Derrama meu medo quando me toca

Seu excesso é meu vício
O meu delírio é sua chave
E me guarda

No bolso e no colo
Eu me calo
E fico bem guardado.

sábado, 19 de novembro de 2011

Chama, calor .

Fiz meu fogo
Aqueci meu peito
Admirei a chama
Separei as cinzas
Joguei na lama
Briguei com o vento
Não fui atento
Quase apagou
Mas cresceu
Irregular
Abstrato
Revelador
Cortou meu frio
E sem aviso
Você chegou
Trouxe mais fogo
E me negou
Mas não durou
Veio aclamar
Veio sentir
Como eu consigo
Pouco fogo
Pouco abrigo
Um grande calor.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Desculpe-me pelo quase

Devagar
Quase fui lá
Quase voltei
Quase menti
Quase chorei
Quase sonhei
Quase acordei
Quase vivi
Quase comi
Quase enjoei
Quase acabei
Quase engoli
Quase olhei
Quase guardei
Quase cantei
Quase traí
Quase senti
E no quase fingi
Te conheci
Quase acreditei
Quase apaixonei
Quase entreguei
Quase consegui
Depois que entendi
Quase sofri
Quase amei
Quase morri.

Doce carinho

É coisa mais forte
É quando eu te sinto
Rosto menina
Cheiro e cor
Olhos e cabelos
Cheiro de mato
E de tudo molhado
Às vezes de flor
Voz tímida de alegria
Bem baixinha
Creio ser só minha
Creio ser só minha
Doce carinho
Momento carinho
Lugar distante
Beleza presente
Dentro de mim
Você fica e a calma vem
Dentro de mim
Doce carinho
Teu jeito
Teu jeitinho
Teu olhar
Teu carinho
Doce carinho.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Lembranças de um cigarro

No momento certo da viagem
No calor exato da coragem
Na calma triste do sofrimento
E a certeza cara do arrependimento
O dia lindo acabado em pranto
Mãos distantes do carinho e do acolhimento
Atrás apenas de algo raro
Cuidando e sempre atento
Foi claro seu beijo sem medo
Seu beijo sem contato
Seu amor estacionado
Sua lembrança
Seu silêncio.

sábado, 15 de outubro de 2011

Rimas pra você

Eu me aceito
Por dentro e por fora
Mas não me vejo
Nem me recebo
Por dentro e por fora
É onde você mora
Onde mora desejo
Transborda medo
Por dentro e por fora
Sou idiota
Mas sou respeito
Por dentro e por fora
Pego teu beijo
E guardo teu cheiro
Te reconheço
Por dentro e por fora.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lembrança

Eu quero que minha paixão por você, mulher
Morra!
De fome e com alegria
Que morra contente e elegante
Lentamente, sem recaídas
Que seja linda até o fim
Sua imagem de mulher
Sua imagem de paixão
Minha imagem de ilusão
Imagens do passado longo
Passarão num instante de sonho
E eu as tocarei num puro reflexo de amor.

sábado, 1 de outubro de 2011

Desbotou...

Minha habilidade sensorial está restrita,
É só tua pele com jeito
Teu cheiro desejo
Além disso, eu desconheço
Não consigo entregar-me a charme algum
Tudo é igual no meu contato corporal
Faço necessário desistir de encontrar-te longe daí
Mergulho na minha piscina rasa
No horizonte que não é longe
No chão da minha casa
A força e simpatia do seu sorriso
É só fotografia
Mas você me apagou até do papel
Quem dirá se cuidas de mim em algum lugar
Se me aguarda ou me evita
Sou foto antiga
Sou despedida...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O saldo de uma paixão descontrolada

Falta você no mundo que alcanço com meus olhos
A sensibilidade do seu abraço calmante
Aquele sorriso pequeno e aconchegante
A voz doce e sinfônica só pra mim
Fez-se curadora da dor incompreensível
Meço amor nos seus desejos e sonhos
São meus alívios
Meus momentos grandiosos
Só pra nós,
Sua ternura pura arranca a pobreza do meu peito
Ratifica minha gratidão
Sou um pé longe do seu par e do seu chão
Um amigo distante no seu universo admirável
Fico compenetrado, arraigado e desprotegido
Fez-me um falido, um triste
Um rico amante
Um fracasso de emoções
Cheio de paixões alucinantes
Nos olhares e convicções
Vejo um vasto acervo de cumplicidade
Por isso exponho-me na coragem
Confessando fragilidade
E muitas doses de saudade
Que embriagaram minha madrugada
Minha imaginação descontrolada
A incerteza das reações.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cássia (Com a intenção de compreender-te no alto)

Consiste num olhar que foge do mundo
Águia com apetite de sonhos
Soberana nos céus da alegria expoente
Sou peça que admira seu vôo
Instante de beleza ímpar
Agraciado eu me sinto

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Estudo sobre os seres quase inexistentes.

Fui até a varanda do sossego
Habitat natural dos bichos do desapego
É de costume não falar nada
Só a prosa inspirada é concedida
Aquela de quando analisamos sol e lua
Com seus cobertores de luz agraciados
O alimento encontrado é saudável e fortificante
Ele facilita o pensamento crítico e apurado
Dos instintos mais selvagens e verdadeiros
O frio é suportado pela consciência de que estão só de passagem
Também há tristeza nessa varanda
Mas esses bichos a tratam como uma ponte para a aceitação de sua existência
E não condenação
Beleza significa tudo que pouco conhecemos
Pois eles só a enxergam dentro da realidade do que amam
Envelhecer é sinônimo de carinho com a vida
E os mais velhos dedicam seu tempo repassando virtudes
Cada um carrega um líder dentro de si
Onde eles o amadurecem até a idade adulta
Idade essa que não importa tanto
Pois vivem sorrindo como crianças durante toda a vida
E a morte chega das mesmas formas que chega para nós
Mas isso é o que menos os assusta
Sabem que acontece para renovar os ciclos
Cada um faz aquilo que tem aptidão
E tem seu papel fundamental para todos
Como as abelhas na colméia
Mas a comparação é restrita a espécies de pouco valor
Sem medida de nada eles vivem assim
À beira da perfeição.

Ato de beijar as palavras.

Procuro rima na carne
Com desejo de saciar minha leitura
Minha fantasia com a pele é só verso
Procuro antes do beijo, a cura do meu vazio poético
Antes da forma, que venha cantando e recitando atração
E que a língua seja instrumento de interpretação
E massageie minha boca com palavras sujas
Apreciarei seus encantos flutuantes
Os acordes da sua voz
Sua sensualidade pura de poema
É tudo que desejo ler.

O andarilho (Manoel de Barros)

Eu já disse quem sou ele.
Meu desnome é Andaleço.
Andando devagar eu atraso o final do dia.
Caminho por beiras de rios conchosos.
Para as crianças da estrada eu sou o Homem do Saco.
Carrego latas furadas, pregos, papéis usados.
(Ouço harpejos de mim nas latas tortas.)
Não tenho pretensões de conquistar a inglória perfeita.
Os loucos me interpretam.
A minha direção é a pessoa do vento.
Meus rumos não têm termômetro.
De tarde arborizo pássaros.
De noite os sapos me pulam.
Não tenho carne de água.
Eu pertenço de andar atoamente.
Não tive estudamento de tomos.
Só conheço as ciências que analfabetam.
Todas as coisas têm ser?
Sou um sujeito remoto.
Aromas de jacintos me infinitam.
E estes ermos me somam.

domingo, 28 de agosto de 2011

Sozinho, sobre o domingo.

Consegui chegar
Mas eu sempre chego
Então devo descansar
É o que me ofereço
Nos domingos sem desejo de barulhentar
Desligo minhas máquinas de acordar
E com isso fico sem emprego,
Sem gravata, e com mais cabelos
Mudo meu jeito
Tornando-o bem particular
E adepto ao desapego
Ao desleixo
Cheio de sem vontade
Sem coragem
Zero a quilometragem dos meus passos
E paro antes de cansar
Me solto no sofá
Como se fosse rei
Deixo de pensar no fim do mês
Fecho-me para balancear
Dou folga para os meus batimentos
Minha ansiedade é retardar
Quero isso imortalizar
E vou filosofar durante a partida de futebol
Cochilar antes do último jornal
Antes do meu domingo
Meu fracasso acabar
Vou imaginar que tudo que fiz
Foi pra mudar a fama desse dia peculiar.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cheiro, amor !

Acorde-me no profundo
Fazendo-me forte
Condicione-me para tudo
Num mergulho, na sorte
Com seus olhos abertos em mim
Minhas telas rasgaram antes que você sinta-se protegida
Não é despedida, nem poderia
Minha cadência perdida
Longe da vista
Não sofro mais
Tantos calos nos ouvidos
Perfumes idênticos e atrevidos
Não sei mais apreciar
Pare de esperar
O momento passa num instante
Vai levar-te para mais distante
Escolha um lugar para repousar, meu calor
Deixe-me tomar conta da mudança
Sentir sua fragrância
Cheiro de amor

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Vagabundeado

Quero ser seu, todo meu
O céu, o mel
O complemento do vazio
As garras que te libertam
Amplitude do maior deserto
O cessar da longa tempestade, vaidade
O brilho do escuro
Alimentando as gorduras
Tudo em seu absurdo
Sem o limite das regras
Atraído pelo silêncio
Derrubado e espancado pela paixão
Só posso olhar para cima
O lado triste, coragem e emoção
Conto segundos bagunçados
Perdi todo o tempo que me coordena
Perdi meus sapatos
Perdi a noção
Afastado e vagabundeado
Resolvo então
Permanecer deitado.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quero tudo que não conheço

O momento que celebrou em mim
Foi necessário para o acaso
Dos olhos negros e convictos
Amadurecidos por desconfiança
Escondeu um grande momento
Só pra mim
Onde meu acervo de palavras desapareceu
Tomou-me a liberdade de imaginar
Tudo que sentia desconhecido
Aflito e machucado pelo passado
Concedeu-me vida em segundos
De forte apagão sentimental
Não sei o que farei de ti em minha mente
Mas conforto eu te ofereço
Mais forte e mais belo que um beijo
O ensaio do meu afago
Encorajando-me ao sofrido fato
De não saber o que penso e reconheço

sábado, 30 de julho de 2011

Sujeito Pai

Ô senhor
Que situação
É coisa boa
Mas também complicação
Vou citar o que vivencio
Deixando com carinho
Minhas palavras
Pra ti direcionadas
Uma suave observação
Começo pela pessoa
De comportamento difícil
Mas fiel com os compromissos
Humano de compaixão
Leal como amigo
E justo na decisão
Bondade é o recurso que carrega em suas mãos
Não falta e nunca deixa
Faltar sustentação
Sorri como um menino
Quando vê animação
E procura à sua maneira
Nem sempre com leveza
Dedicar-se com paixão
E a família agradece
Admira e vai lutar
Conhece o permitido
E a hora de falar
Demonstra o seu carinho
Não evita de cobrar
Sabendo o que pode
Pra esse jeito melhorar
Sentindo a cada dia
O humor se alterar
Mas pra quem ama
Não há problema sem solução
Nem o gesto mais grosseiro
Merece condenação
Pois somos todos dignos
Perante a condição
De amar esse cara simples
De imenso coração

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Um pingo de amor !

O pingo de amor que existia em mim
Resistiu a gotejar
Dentro do que era antes um oceano cheio de paixão
Com sua imagem e cheiro de mar
Quietou-se na grande indecisão
E a força que te fez ondas
Devastava minha calmaria
Fez secar
Com a mesma força apagar
Outrora lindo e amante
Mostrou-se só esboço do meu lugar
Do apreciado em ti
Do sussurro, o jeito
Do absurdo, o defeito
Encontrar-te a fracassar
Por águas que talvez vá
Impeça-me de navegar

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um pouco de um homem !

Ele não é forte
Não tem músculos bonitos
É preguiçoso e mora de favor
Mora com os pais
Recebe trocados
Escreve algo parecido com poesias e rimas
Gosta de música antiga
Chora vendo casais
Nas novelas vespertinas
E nos programas de humor
Gosta de rir sozinho
Acorda sempre à tarde
Fala com gatos
Escuta sua mãe
Toca violão desafinado
Canta fora do tom
Brinca de bola com crianças
E toma banho de chuva
Esquece de tudo
Menos do cigarro em sua mão
E tenta ser feliz
Acredita no amor
Pois vive na dor
Gasta o dinheiro do mês de uma só vez
Paga um sorriso com o seu
E não fica chateado com o valor
Vive um cigarro de cada vez
Gosta do frio
E do calor
Não reclama do tempo
Nem do momento
Gosta de sentimentos
Mas não alimenta rancor
É um homem que plana
Desce por sua própria alegria
Desmembra sua vida
E finge ser ator

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Olhe, veja e sinta ( são todos pobres como eu )

Vá em frente e ame gente
Pois ser forte é chorar alto
Sinta o abraço de um vagabundo
Abrace um cão abandonado
Deguste o derradeiro pão dormido
Alimente o farto sorriso
E ame um velho chato
Condene sua indelicadeza
Enxergue os fracos homens
Não fale de uma velha tristeza
Estão tristes e cheios de fome
Sofra mais com suas vidas
Respeite as faces secas e abatidas
E não esquecerão teu nome
Escute os tantos lamentos
Seja algo gentil
Que cure o tormento e o medo
Dedicado filho serviu
Verdade que no horizonte
Da morte de um jovem ignorante
Nasceu o sol que sorriu

sexta-feira, 10 de junho de 2011

No Mar De Chica

É Forte o fascínio da brisa na beira
Costumo abrir os braços
Sentir meus pés cansados, banhados
Lavados pela areia
E pela água fria
De tom sossegado
Mar de pouco papo
Que mi leva e anseia
Onde caí dentro sem recado
Afogando meu atraso
Nadando como um afago
No seu corpo de sereia
Vou pro fundo procurar
Quero achar o que comanda
A sensível aparência
Do mar de Chica
Que não cochila
Sabe onde eu busco o ar
Aprecia
Quando bóio a te desejar
Vibrando nas ondas sonolentas
À deriva da vida
Mi encontrando num sonho azulado
Acima de um gigante acordado
Pra dormência despedida
Só no encanto dessa calmaria
Serei admirado como Chica
No seu mar de afogados
Que não recusaram seus agrados
Vivendo amor um dia

terça-feira, 7 de junho de 2011

Faltou certeza ( a palavra )

No lugar que eu visito
Eu visito sempre uma surpresa
Ás vezes olho e dou risada
Ou fico dentro da surpresa
Cativo com meu desejo de receber
E de ser surpresa
Pra que ela olhe pra mim
Que não mi veja
E sinta minha pobreza
Com o que tenho posso ser até mais simples
Pois não domino minha fraqueza
Que é contada apenas por meus amigos, pais e minha moleza
Toda falta de vontade de nascer da tristeza
Pois só conheço da verdade, a mentira da riqueza
Mas também posso ser rico
Tornando-se um rico, uma beleza
Um grau de humanidade
Ou simples natureza

domingo, 22 de maio de 2011

Vento amigo

O vento que bate no rosto
Traz sempre um rosto novo
Um recado
Traz a bela imagem do beijo não conquistado
Traz a verdade renovada
Traz o brilho antes apagado
Cuida do momento
De parte do passado
Leva a preocupação
A falta de emoção
O medo indesejável
É vento cuidadoso
Nem sempre recordado
Nem sempre respeitado
É vento que vem na calmaria
Ou na tarde agitada
Vento que surge do nada
Quando nos sentimos ameaçados
É vento puro
É ar puro
É carinho
É gesto inocente
Tudo pra gente
Como um amigo
Como um abraço

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que é?

É uma saudade
Inflando meus olhos
Descuidando meu fraco equilíbrio
É um carinho
Que sinto das suas mãos
Numa sutileza breve
É um delírio
Que tenho com sua boca
E com sua pele
É mentira no tato
E verdade no peito
É medo
É desejo
É coragem do meu pensamento
É maldade do meu sentimento
É tudo que eu tenho
E que não tenho
É a cura pra solidão intensa
É a doença lá dentro da calmaria
É como cachaça forte que não tem gosto
É como um rosto
É alegria
E também agonia
É de tudo um pouco
E nada mi alivia

Cheiro, imagem e gosto da chuva

Sou eu, com uma cor de inverno
Bem quietinho esperando a chuva passar
Bem no cantinho só pra observar
Cada gotinha cheirosa tocando o chão sujo
Vindo tudo de uma nuvem grande
Negra e cheia de energia
Um espetáculo no meio do dia
Exatamente ao meio-dia
Pegando olhares surpresos
E roupas despreparadas
Não saí correndo como outros que não tiveram tempo pra ficar
Fiquei até passar
Fiquei até o cheiro da chuva acabar

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Observar

Como poderei explicar aos meus amigos distantes
A sensação da penetração do ar mais puro em meus pulmões?
Como explicar a gratuidade de uma imensa beleza?
Que vem do chão, entrelaçando na altura dos meus olhos
E perdendo-se de minha vista
No vasto horizonte, nas nuvens mais lindas
Como pude afastar-me do concreto,
Do relógio,
De passos apressados,
De uma respiração comprometida?
De outra sonoridade, de outra vida
To compreendendo a graça do dia
A intensa calmaria,
A leveza, a clareza que isso significa

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A Grande Verdade

Estou dentro de um paraíso
Cercado por todos os meus instintos
Respirando com um grande alívio
Depois de notar as frutas cobrindo parte do chão
Estou colhendo o calor da estação
Sentindo o vento no rosto
A terra molhada mi convida
Com todo o perfume da chuva
E posso sentir seu gosto
Tento decifrar algo da visão enigmática da qual fui contemplado
Mas não sei o que dizer
A imensidão nos engole
Parecemos tão insignificantes
O menor inseto que vi, sabia exatamente por que estava ali
As plantas não foram escolhidas por ninguem
E eram as mais belas
Antes eu não conhecia a importância de uma pedra no seu verdadeiro lugar
E não é só um lugar para admirar
É tudo vida
Construída sob medida
Onde nada copiará
E minhas botas sujas de barro mi alegram
Eu encontrei a grande verdade
A simples verdade que desejo guardar

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Flor da Manhã (rasteirinha depois da chuva)

Cada flor nasce para ser flor
A estação que resolverá
Si está quente ou falta calor
Uma flor nova vai encantar
Sobre as manhãs, sobre nosso olhar
Vai destacar sua perfeição
Sendo flor ela não falará
Mas sincera quando desabrochar
Sempre notei sua reação
A sua forma de si expressar
Não há lugar, nem motivação
Que não mi faça ti admirar
Tanta leveza e gratidão
Desejo nisso mi espelhar
Te guardarei no meu coração
E com esse cheiro quero ficar
Eu aprecio tudo
Eu busco nesse mundo
Toda simplicidade e emoção
Eu vou levando tudo
Juntando num só mundo
Suas flores que eu achei no chão

domingo, 20 de março de 2011

Confesso que amei

O sentimento que foi paixão veio esboçando seu retrato
De forma curiosa
Em momentos dependentes de um sorriso
De um cultivo de calma e alegria
Aconteceu sem medida
gradualmente acelerou seu encanto
Confortou com uma brisa rápida
Não esperei ilusão
Fui levado
Consciente e destemido
Com agonia de menino
No teto de amor que construí, descobri
Tinha falhas e rachaduras
Em sua enorme estrutura
Antes inabalável e deslumbrante
Só ficou de pé o meu semblante
Como uma casa simples feita para suportar todo mal
Nesse dia eu notei
Que além de amar
Tenho que sentir
Só darei tanto amor
Para quem quer muito amar

Dois segundos

De repente passou
Em passos longos e destemidos
Sem olhar para o lado
O lado que eu parado estava
Num instante de sonho
Fui levado dali
Percorri todos os metros mais uma vez
Nem percebi
Aqueles dois segundos mi fizeram tão bem
Como si fugir fosse bom

Apenas um olhar

Inibiu-se na primeira frase
Com toda a sua dúvida
seu rosto atrai-me no desencontro dos olhos
Com um simples cuidado no disfarce
Ela entrega um sorriso contido e suficiente
Um laço de momento
seu descuido chama tudo de mim
Sua entrega não será o fim
Depois que algo decifrar-me

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sonhos

Estive por aí procurando o meu amor
Desequilibrando minha cabeça
Afastando o melhor conselheiro
Dei voltas em torno da insegurança
Por um motivo secreto
Retomei o instinto puro
Devolvi meus sonhos perfeitos
Para caçar no escuro
Para caçar sem a arma apropriada
Fui levado por todas as noites
Na mais fria experiência
Lavei as preocupações antigas
Em troca do meu amor
Em troca do seu amor
Imaginei ter ficado bem perto
Pensei ter saído da turbulência
Antes de chegar ao chão eu não gritei
Todos os momentos são preciosos
Chorando com o sorriso no rosto para guardá-los
Precisei de tudo isso
Assim enxerguei-me dentro de mim .

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Na varanda

No momento da entrega
No breve vento que sentimos
No suave som das cordas
Abriu o sorriso mais lindo
Contamos contos de dar graça
Pra dentro da nossa alegria
Levamos com tanta calma
Que a noite não deu a partida
Tudo do jeito mais simples
Porque só pensamos o que da pra cantar
Cantarolamos sem parar na varanda
Varanda de pia e flores
Lixeira e violão
Ao redor da nossa inspiração
Batendo os pés ou a cabeça
Junto com as mãos calejadas de tentar ritmar o nosso encontro
Deixei imaginar um sonho que não pude acordar