terça-feira, 24 de julho de 2012

Infernalidade abrigo


Recuo ao mais velho abrigo
Descontente e frio como sempre
Demasiada loucura sinto novamente
Como num encanto, engano.
Mascarada vida que suporto tanto
Rompendo a dor que no peito inflama
Momento à beira da tristeza, canto!
Despercebido não sou valente
Sou veneno para mim doente
Refúgio do amigo, ausente!
Atrás do escuro, atrás do pranto.
Enfermidade disfarço em sono
Onde derramo uma gota, uma saliva!
Com sede e fome de paixão vencida
Na veracidade,  me componho.
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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Jacarandá

Teus verdes iluminam
Jacarandando a vida
Poetizando enigmas
Cantando na beleza das melodias, tua alegria
Coragem
E prazer
Jacarandou, iluminou, viveu , cantou, amou, parou.
Jacarandou!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Palavras


As palavras são loucas
Insanas quando querem ser bacanas
De qualquer modo há promessa , despedida
A beleza desmedida de um sonho corajoso
Uma boca que solta jatos de prazer e ódio
Talvez tu sintas o banho,  emoção
A concentração de algum sentindo
O ser valente, a voz potencializada
Atração vasta
Que chocam seus ouvidos
Depois o seu pescoço.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

EU

Até agora eu não me conhecia,
Julgava que era eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... E não me via!

Andava a procurar-me - pobre louca! -
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!

E esta ânsia de viver, que nada acalma,
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!


Florbela Espanca