domingo, 29 de setembro de 2013

Vitimado.

Atrai-me pelo ímpeto surpreendente
Ação repleta de covardia comigo
Onde encaixei-me frágil bobo
Curado do fracasso amedrontado da vida
Da velha fragrância de mofo, da alergia
A pele macia incitou-me ao delírio
Num momento desastrado caí
No próprio mar de palavras sutis
Permanecendo bobo
Nadando feito louco longe da areia
O olhar afável golpeou meu raciocínio
Tonteando-me estranhamente
Sua boca comportava-se surrealista
Desconstruiu-me
Fiquei ali parado,
À mercê dos desejos mais vaidosos
No breve toque fui sensitivo exorbitante
E os choques que sofri derrubaram-me longe
Partes minhas congeladas em frio homicida
Observaram-te sair com naturalidade
Deixando a mesa - cena do crime que cometeras.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Traços

Inquietações elevam-se da sutileza do seu rosto
Marcando-te a face com conflitos passados,
Caprichados em traços permanentes
Tens a vanguarda de sonhos atraentes
Carregados em machucados profundos
Tens o mundo,
A lembrança costurada na agulha
Pouco pano para cobrir a carne crua
Por onde jorra sua dor
Pisando na poça da memória
Deixarás pegadas para um exemplo de futuro
Onde não pudestes caminhar.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Proibido!

Veio em contradição ao tempo solidão perdurável
E flerta maduro com o dissentimento social da barganha
Ora banal pela futilidade de classificar o desejo carnal
Ora verdadeiro carnal
Posto frágil e sem condições de rejeitar!
Esse sim, sem desejo de classificar
É só da vontade que dá gosto na boca
E a boca no sonho de abocanhar o corpo,
Esse envolto, pois é a carne que produz a saliva da boca do outro
E a língua úmida congela teus bicos distraídos
Agora possuídos,
Chamando-os para o choque de gozo
Gozando em cama estranha
Uso da imaginação vaticinada
O arrepio por debaixo do terno tradicional que vestes
A calça levanta!
Mesmo sendo proibido o seu movimento de felicidade
O corpo treme de saudade no banheiro
E o banho para ser limpo na cama da mulher amada,
Torna-se calma
Por ora calma
Combate a vergonha de amar outro corpo
Tens a vida morta na realidade
E um monte de vida presa na mente condicionada
Condena a ereção feroz fora de casa
Até tomares coragem suficiente para desejar tudo de novo.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Refluxo

Fechando a boca e propondo cativeiro
Não meças as palavras cruas no nível da sua vergonha
Por apenas conheceres a vergonha e o medo,
Vomite-as com o sangue!
Suje o chão de frases vivas em vermelho
Suje a ponta da língua para degustar-se
O ranço que provarás das ideias fora da validade
Retomam o contexto de não saberes do que és feito
O estômago vazio de coragem despertado do bom funcionamento
Suor frio regulando seu desespero
Arrepios do corpo que oculta a própria fétida realidade
Agora expõe-se para o ataque da moralidade
Apresentam-se olhares sedentos para o julgamento
Onde seu mau cheiro verdadeiro é condenado
É nesse amargo que a incitação revela-se definitivamente podre
Atente ao fato podre de reconhecer-se dentro dessa parte
O interior cheira tão mal quanto a delicadeza das boas posturas
E a deturpação do respeito próprio em cobranças imaturas
Quando submeteres a amarrar a boca com palavras mansas
Talvez o banheiro seja o limite para a liberação do seu cheiro antissocial
Trazendo-te de volta ao cativeiro.

Bom dia

Tudo em plena paz
Capaz de organizar minha íntima calmaria
Levar em ventos atentos
Os acalentos dos pacíficos momentos
Que cantam em ares de mar por toda brisa
Ergo-me como pipa
Para fotografar minha ilha
Circundada pelo azul aceno
Do bom dia de cada dia.

sábado, 14 de setembro de 2013

Oferta de mar.

Não foi pelo confronto
Tampouco consenso
Nem pela parcimônia que aprendi com o tempo
Nos tempos que a barganha circundava
Era quase vaidade, assustava
E a brincadeira de ser cúmplice não seduziu meu comportamento
Assim, nada de supérfluo sustento
Ou pratos além das bocas da minha casa
Perco sim!
A afinidade conquistada
E as tentativas de purificar-me, trancafiando-me em breves plácidos momentos
Não tenho mais tempo de conter-me
Contanto fiz-me fraco perante a oferta de mar
Onde logra todos os tipos de tormentos e brevidades raras.

sábado, 7 de setembro de 2013

Julgamento frio.

Pensei, não disse, guardei.
Durante todos os dias que você reinou na minha mente...
Em cada dia que tocou-me para continuar reinando...
Em momentos que seu reino foi encanto...
Noutros profundo desespero, medo!
Foi nele que sempre adentrei meu sonho, que só foi sonho
Dentro de um reino que não era reino, acordando-me
Ganhei disso a insônia, adoecendo-me
Busquei na tontura, um descanso
Um novo reino, um novo sonho
O mesmo gosto, reconheço!
Pelo vinho que eu bebo, julgue-me, eu até deixo
Ainda que as amarguras enganem
Mas não diga que eu não amo
Eu desapareço!
E posso aprender a desamar.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Nunca Mais.

Que é feito de meu sonho, um sonho puro
Feito de rosa e feito de alabastro,
Quimera que brilhava, como um astro,
Pela noite sem fim do meu futuro?

Que é feito deste sonho, o cofre aberto
Que recebia as gotas de meu pranto,
Bagas de orvalho, folhas de amaranto,
Perdidas na solidão de meu deserto?

Ele passou como uma nuvem passa,
Roçando o azul em flor do firmamento...
Ele partiu, e apenas o tormento,
Sobre minh’alma triste, inda esvoaça.

Meu casto sonho! Lá se foi cantando,
Talvez em busca de uma pátria nova.
Deixou-me o coração como uma cova,
E dentro dele, o meu amor chorando.

Nunca mais voltará... Pois, que lhe importa
Esta morada lúgubre e sombria?
Não pode agasalhar uma alegria
Minh’alma, pobre morta!

                                                      Auta de Souza