quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O saldo de uma paixão descontrolada

Falta você no mundo que alcanço com meus olhos
A sensibilidade do seu abraço calmante
Aquele sorriso pequeno e aconchegante
A voz doce e sinfônica só pra mim
Fez-se curadora da dor incompreensível
Meço amor nos seus desejos e sonhos
São meus alívios
Meus momentos grandiosos
Só pra nós,
Sua ternura pura arranca a pobreza do meu peito
Ratifica minha gratidão
Sou um pé longe do seu par e do seu chão
Um amigo distante no seu universo admirável
Fico compenetrado, arraigado e desprotegido
Fez-me um falido, um triste
Um rico amante
Um fracasso de emoções
Cheio de paixões alucinantes
Nos olhares e convicções
Vejo um vasto acervo de cumplicidade
Por isso exponho-me na coragem
Confessando fragilidade
E muitas doses de saudade
Que embriagaram minha madrugada
Minha imaginação descontrolada
A incerteza das reações.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cássia (Com a intenção de compreender-te no alto)

Consiste num olhar que foge do mundo
Águia com apetite de sonhos
Soberana nos céus da alegria expoente
Sou peça que admira seu vôo
Instante de beleza ímpar
Agraciado eu me sinto

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Estudo sobre os seres quase inexistentes.

Fui até a varanda do sossego
Habitat natural dos bichos do desapego
É de costume não falar nada
Só a prosa inspirada é concedida
Aquela de quando analisamos sol e lua
Com seus cobertores de luz agraciados
O alimento encontrado é saudável e fortificante
Ele facilita o pensamento crítico e apurado
Dos instintos mais selvagens e verdadeiros
O frio é suportado pela consciência de que estão só de passagem
Também há tristeza nessa varanda
Mas esses bichos a tratam como uma ponte para a aceitação de sua existência
E não condenação
Beleza significa tudo que pouco conhecemos
Pois eles só a enxergam dentro da realidade do que amam
Envelhecer é sinônimo de carinho com a vida
E os mais velhos dedicam seu tempo repassando virtudes
Cada um carrega um líder dentro de si
Onde eles o amadurecem até a idade adulta
Idade essa que não importa tanto
Pois vivem sorrindo como crianças durante toda a vida
E a morte chega das mesmas formas que chega para nós
Mas isso é o que menos os assusta
Sabem que acontece para renovar os ciclos
Cada um faz aquilo que tem aptidão
E tem seu papel fundamental para todos
Como as abelhas na colméia
Mas a comparação é restrita a espécies de pouco valor
Sem medida de nada eles vivem assim
À beira da perfeição.

Ato de beijar as palavras.

Procuro rima na carne
Com desejo de saciar minha leitura
Minha fantasia com a pele é só verso
Procuro antes do beijo, a cura do meu vazio poético
Antes da forma, que venha cantando e recitando atração
E que a língua seja instrumento de interpretação
E massageie minha boca com palavras sujas
Apreciarei seus encantos flutuantes
Os acordes da sua voz
Sua sensualidade pura de poema
É tudo que desejo ler.

O andarilho (Manoel de Barros)

Eu já disse quem sou ele.
Meu desnome é Andaleço.
Andando devagar eu atraso o final do dia.
Caminho por beiras de rios conchosos.
Para as crianças da estrada eu sou o Homem do Saco.
Carrego latas furadas, pregos, papéis usados.
(Ouço harpejos de mim nas latas tortas.)
Não tenho pretensões de conquistar a inglória perfeita.
Os loucos me interpretam.
A minha direção é a pessoa do vento.
Meus rumos não têm termômetro.
De tarde arborizo pássaros.
De noite os sapos me pulam.
Não tenho carne de água.
Eu pertenço de andar atoamente.
Não tive estudamento de tomos.
Só conheço as ciências que analfabetam.
Todas as coisas têm ser?
Sou um sujeito remoto.
Aromas de jacintos me infinitam.
E estes ermos me somam.