quarta-feira, 20 de março de 2013

Tragado e abandonado

O homem dali sumiu aos poucos
Antes de cabeça erguida
Agora pelos cantos das ruas
Contando passos no escuro
Desencantado
Ele já cantou pelas mesmas ruas
Desabrochando sorrisos escondidos
Semeando sorrisos estendidos
Mas ele foi parando
Desacelerou seus motivos
Parece que seu combustível acabou estranhamente
Hoje ele arrasta-se cabisbaixo
Quase sem rosto
Sem desejo
Sempre cansado
Um homem fraco
Antes parrudo de alegria
Hoje desidratado
Engolido pelos tormentos do dia
Tragado como um cigarro
E depois abandonado pelo descaso.

terça-feira, 12 de março de 2013

Túmulos


Onde a minha razão acaba,
É meu túmulo sem lápide
Indigente que trouxe a carne
De um corpo fracassado, frio e desmoralizante
Onde a minha emoção acaba,
É meu túmulo de verdade
O mesmo homem que trouxe a mesma carne
Do mesmo corpo fracassado, frio e desmoralizante
Limpo, costurado, enfeitado e condicionado
Em trabalho caro, artístico e demorado
Com o cortejo mais iluminado
E barulhento dessa multidão dilacerante
Seja para túmulo caro ou túmulo pobre
Morte da razão ou da emoção mais forte
Os términos irão com a mesma carne
Para a mesma terra de outras mortes.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Fragrância


Quero para perto tudo antes demasiado sonho
Longínqua a determinação prévia
Quero bactérias, quero lama
Uma nocividade natural para descontaminar minhas andanças
Uma casa nos ventos mais arrepiantes
Uma cama de grama nas montanhas
A chuva periódica e fria
Bocas de lobos em harmonia
Leis francas
Toda fragrância do chão folheado
Ser meu próprio casaco
Reprotegendo-me a cada passo dos pontos fracos
Antes da pólvora humana aproximar-se
Resguardo o teu sonho de criança
Nesse sonho acalentado.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Descrição da falta.


O que eu sinto pode cobrir-te
Pode liberar-te desse desencanto
Da tua angústia que persiste amedrontá-la
O que sinto pode levar-te calma
Pode ser o aquário dos seus sonhos
A viagem de balão que aguardavas
O mar que nunca visitastes
Todo o ar que falta para respirar aliviada
Os campos, flores, cores...
A chuva, frio, sabores...
Posso apresentar-te de tudo
Para que tudo seja diferente
Não consigo suportar você distante
Essas promessas são para você presente
As fantasias fazem parte do meu mundo
Enquanto a sua ausência permanecer frequente.