sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dos males...



Dos males dos bares, ruas frias, corpos frios
Eu me curo bêbado
Sem certas setas de conselhos
Possuo na calma o próprio medo
Me sinto carne podre
Com o desejo de tudo
Demasiado apreço por tudo
Prestes a pedir uma arma de brinquedo
Assim me faço e te refaço feliz
Anuncio meu suicídio intelectual
Com o olhar distorcido pelos sintomas etílicos
E o andar rabiscado fingindo equilíbrio ou respeito
Levanto a minha contrariada opinião sobre tudo
E toda a parte invisível do meu corpo
Cai morta!
Sem sangue e sem volta
Até à tarde seguinte correndo para o banheiro
Ressuscitando o corpo subjetivo que matei em desespero
Com água fria e água morna.
Agora,
Dos males dos gostosos beijos do passado
Desses sim há fascínio de muitos
Mas não há suicídio que dê jeito
Deles eu não me curo, mas continuo bêbado.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Os dias que antecederam... Mesmas noites.

Pensei palavras mágicas
Por todos os dias
No soluço do choro, pensando
Atraí melancolia
Dormi para o sonho
Ou simplesmente sono
Sempre cansado, dormindo
Sempre romântico
Retratei a paisagem
Remetendo à ilustre selvagem apatia
Enfeitando o trágico, retratando
Fiz a deforma da mentira
Amei o corpo de uma mentira
Duvidei da enfermidade que esperava-me
Num segundo de dor, amando
Desconstruí o último segundo com coragem
Esvaziei meu isqueiro
Troquei minha bagagem
Retomei minha vida, esvaziando
Livrei-me de um grama da velha saudade
E um quilo da velha alegria.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Comum para os sonhos difíceis

Sempre trovejará
Sempre o medo chegará
No mais calmo e distante aconchego
Em tudo tem seu medo
Seguro é ter medo de tudo
E no tudo, suportar
Com tanto medo de tudo
Meu tudo é meu aconchego
É com tanto medo que chega
Que nisso, eu vivo, e meu tudo viverá
Nem sempre eu vejo o medo
Mas sempre eu atrevo-me a acreditar
Que nada valerá
Sem antes acordar com corpos alados
E condicionados a voar
Assim te recordo
Sirvo-te na mansa manhã
Levo-te no transe do sol da manhã
E que nada em nós entenderá
Nosso tudo e nosso tempo
Com a vida simples e crua
Vou rever-te
Vou tocar-te
Vou amar-te
Toda nua
Será assim, muito linda!
Nossa morte
Nossa lua
Não é difícil desconfiar
Dessa calma que aguarda-nos
Do trovão anunciante da tragédia
Do medo que eu não escondo
Da incerteza e do provável desencontro
É assim que devo desmoronar
É assim que pode acabar
Pode ser constante a ilusão
Mas quem planeja um destino improvável
Prepara-se para um beijo imaginário
E um futuro que decora a solidão
Sem sólida solução
Só o fim
Só o trovão desse tempo realizará.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Emocional


Permita-se a uma loucura sóbria
Uma casta das velhas sombras
Saibas que não será única, tampouco derradeira saída
Mas terá a pretensão de aloucar
Por hora zonzear suas últimas lembranças
No sentido que elas fiquem trancadas
Em alguma área inacessível pela insônia
Sem previsíveis e torturantes dramas
Uma espécie de grito que poderá desfigurar
E transcender essa lama
Renascendo amado o fortificado sorriso
Na tentativa para vivenciares um avesso momento
Construindo melhor as futuras lembranças
Talvez, pois não passa de loucura
Essa sobriedade humana.










quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Dedicação

Torço por ti
E torço ainda mais quando encarares a boca suja
Quando o olhar for desmotivante e aniquilador
Quando a hipocrisia circundar sua vida
Quando sua voz soluçar
E quando sua voz não alcançar o agudo grito de pedido de ajuda
Quando a tristeza bater forte no teu peito
E assim batendo forte no meu peito
Quando nada adiantar fazer
Quando o inimaginável ruim acontecer
Quando o amor machucar
Eu torço por ti
Por fazer-me sincero e vivo
Estando vivo terei forças para torcer com alegria
E torcerei pela sua vida
Pela vida que carregas
Pela vida que te carregas
Pela vida que terás que carregar
Pelas nossas vidas,
Eu torço sem parar e sem cansar
Não só torço
Mas torço com a mão estendida
Onde poderás segurar para suportar as dores diversas da vida
Os males diversos que encontrarás todo dia
Torço para dar-te calma e um pouco de ar
Não torço pelas brigas e despedidas
Pelo mal e pela agonia
Nem poderei torcer pelo o que te enfraquecerá
Isso não seria nem de longe a forma de torcer que sei fazer
Nem a forma que sei te amar.




Da inocência de ser fruta

É de todo o restante, a crua!
A casca é dura
Não se cozinha, não se machuca
Não perece fácil posto fora
Nem é comida fácil posto boca adentro
É verde e forte
Verdade verde
Verdade forte
Não tá morrendo
Aguenta chuva
E aguenta vento
Só cai quando derrubada à força
Sempre prematuramente
Quando ainda no pé,
O amarelo das maduras a encontra
Contaminada pela vida adulta
Ela fica mole
Perde a força
E cai subitamente
É a morte amarela e decadente
Na boca de alguém
Que não sabe a dureza de ser manga.



















terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.





Álvaro de Campos ( Fernando Pessoa )

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Vem


Venha para o carinho garantido
O canto onde o beijo não é escondido
E o abraço é com a força que te agrada
Deixe seu ouvido aberto para o meu elogio
Meu olhar de cachorrinho com frio
É meu olhar de homem que te acalma
Vem sorrir logo cedo comigo
É o despertador que me faz levantar rapidinho
É o amanhecer que desejo para essa vida chata.

sábado, 10 de novembro de 2012

Pensar breve

Sobre tudo,
Tens à vista a imposição
De quem te banhou
E os abraços para arbitrar
A liberdade que não conhecestes
Foram por vezes, amor!
Se me entendestes...
Não te demonstro nada
A deficiência é construída
E nada faltará
O estado que se encontras
Poderá ser o futuro que te aguarda
Despreocupante!
E a liberdade questionada
É só um pensamento temporal
Que também foi construído
E abraçado com amor arbitrário
E impositor.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Musicalmente sexual

Não me quiseres por saberes sempre
Os solfejos íntimos das minhas canções
As variadas rimas propositais
Minhas vozes líricas e teatrais

As odes simples que fiz
Para puxar-te suave no colchão
Fazendo-te um belo refrão
Com olhar afinado de solista

Não me quiseres, assim decorando-me!
Para teu acervo de assobios matinais
Só me queres musical em seu campo harmônico distante

Esperarei que me queiras - novamente carnal - onde executarei
Minha performática penetração timpanal
E poderás anunciar teu falsete num gozo, num belo dueto.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Não quero que as minhas plantas morram cedo.


Somos os responsáveis
Produzimos os adubos
Artificialmente!
Os sentidos máximos, os reagentes
Onde procuramos nos manter
Afastamos a raiz defeituosa
Os males recordados
O problema crônico
A dor de cabeça
A cabeça da loucura e da derrota
E fingimos ser verdes e naturais
As plantas nos regam
Numa depressão profunda
Armadas de sentimentos fatais
Na natureza limitada dos nossos vasos
Cheios de terra suja de outrora
Cresceremos verticalmente desiguais
Tocando o próprio teto
A própria imagem
Em folhas finas
Com texturas definidas
Abrindo as bocas para o sol matinal
Banhados pela sombra vespertina
Enchendo os caules de beleza
Para morrermos secos
Enterrados em terras marginais.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Anoitecer-te


É só no momento
Entre tantos muitos
De leve brasa
E uma forte brisa
Que posso anoitecer-te!
Só cairei para iluminar-te
Tocar-te escondido
Teu rosto e tua vaidade, ainda mais!
Na coberta que te envolvo
Teu sono é meu
E teu corpo agradece
Em cada bocejo que entregou-me
Eu os vivo por completo.
No céu limpo
Onde estou vivo!
A minha forma tu reconheces
Venho para agradar-te
E logo acordarás com sede
Longe da minha sombra
E dos meus olhares
Logo é dia, É saudade.
A noite, em breve
É só no momento
Entre tantos muitos
De uma leve brasa
E uma forte brisa...

domingo, 28 de outubro de 2012

.

O
Corpo de causas
Origens
Respostas
Plural
Orgânico
Vaidoso
Experimento
Real
Deleitoso
Atentado
Danoso
Efeito
Intenso
Reumático
Ou
Saboroso
Efeito
Urgente.

sábado, 27 de outubro de 2012

Abster

A última verdade
Que na frase eu entrego
Com o último abraço
Dos meus braços que encerram
A última alegria
De um toque sincero
A última paz
Guardada na primeira lembrança.







quinta-feira, 25 de outubro de 2012

No drama

Plantas ocupam meu jardim
Raios de sol caem sobre mim
Mas assim eu não vejo
Nem beleza! Nem sabor!
Assim eu não vejo
Nem cores! Nem valor!
Eu não vejo
Nem luz! Nem calor!
Não vejo
Nem brilho! Nem amor!
Vejo
Drama!
Mas assim eu não vejo
O que é!? O que sou!?




quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Insônia!


Repouso para sonhos
Onde vejo
Onde toco
Acordo para a morte
Onde vejo
Onde toco
Repouso...

Codinome Engrenagem

Tudo que codifica-me um ser
Fez-me parteiro de mim
No acreditar, quando concebeu-me naturalidade
Ser peça chave
Permutar ideias
Alcançar verdades
Como unicidade inquestionável!
Atraiu-me ao conforto permanente
-Ter um presente consistente
De emocionar-me no adequado-
Reagi de forma motor
Energizando as aparências
Forte combustão de inconsciência
Uma alienação admirável
Onde sou devoto arquitetado
Rebento de suas virtudes e engenhosidade
Inalterado
Pelo seu futuro e seu passado
Nunca serei desligado.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Desigual sentido


Correr de tanto é pouco
Como louco é verdadeiro
Desse mar que me escalda
Nesse ar que me domina
Terra me infertiliza
Com o carinho de um tapa
Abro os dentes que me sangra
Nessa vida que me mata

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fruto de não saber


O amor que deu-se por fruto
Tanto absurdo quanto válido,
E a leve impressão de mediado,
Fez-me morrer em vida
Sofri de consciência abatida
Conhecendo a causalidade nesse acaso
O que não sei, de fato!
Ser minha morte ou minha vida
Não vejo minha soberania
Outrora dona
E a libertária do meu corpo
Ter alcançado tal fracasso
Confundo o que é falso
Em verdade acolhida
É minha morte ou minha vida?
Pois não sei, de fato!


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Na sombra

Não vou por completo
E nem pretendo ficar no ermo, aqui deitado
Na sombra da saudade
Sei que desperto liberdade
A condição de ser
O soluço do choro acaba com a minha coragem
Mas é no tal choro que me reconheço
Com a vontade dos meus instintos
A boca cheia
As pernas reagem
Caminho ainda pelo canto
Escondendo meu olhar
Mas volto a caminhar
Pelo canto dos meus desejos admiráveis

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Caboré "o pacato"


Sente e solta
Solidão nos dentes velhos
Culpado em seu inferno
Confuso e calmo
Corpo abstrato
Numa moldura estranha
Com seus ossos em emergência
Ele se tranca
Reflete sobre sua companhia cama
De tristes lembranças do passado
Re-refém do cansaço de viver.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Neguinha.

Saber que eu te faço bem
E que esse bem te faz mais corajosa
E que essa coragem te faz mais pura
E que essa pureza te faz mais bela
E que nessa beleza plena eu me apaixono mais, em dobro!
E como o dobro de uma paixão não é uma paixão comum
É amor que eu sinto sem esforço
E sem esforço para saber que me completas.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Infernalidade abrigo


Recuo ao mais velho abrigo
Descontente e frio como sempre
Demasiada loucura sinto novamente
Como num encanto, engano.
Mascarada vida que suporto tanto
Rompendo a dor que no peito inflama
Momento à beira da tristeza, canto!
Despercebido não sou valente
Sou veneno para mim doente
Refúgio do amigo, ausente!
Atrás do escuro, atrás do pranto.
Enfermidade disfarço em sono
Onde derramo uma gota, uma saliva!
Com sede e fome de paixão vencida
Na veracidade,  me componho.
.




segunda-feira, 23 de julho de 2012

Jacarandá

Teus verdes iluminam
Jacarandando a vida
Poetizando enigmas
Cantando na beleza das melodias, tua alegria
Coragem
E prazer
Jacarandou, iluminou, viveu , cantou, amou, parou.
Jacarandou!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Palavras


As palavras são loucas
Insanas quando querem ser bacanas
De qualquer modo há promessa , despedida
A beleza desmedida de um sonho corajoso
Uma boca que solta jatos de prazer e ódio
Talvez tu sintas o banho,  emoção
A concentração de algum sentindo
O ser valente, a voz potencializada
Atração vasta
Que chocam seus ouvidos
Depois o seu pescoço.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

EU

Até agora eu não me conhecia,
Julgava que era eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... E não me via!

Andava a procurar-me - pobre louca! -
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!

E esta ânsia de viver, que nada acalma,
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!


Florbela Espanca

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ao poeta.


Foi lá dentro
E sem convite do meu corpo, me droga
Como de costume sábio e atrevido
Mais uma para o homem, que chora
Um deleite silencioso , Preciso!
Efeito poético
Queda no abismo
Passagem do verso
Alcançando universo atemporal
Como aprender?
Condicionar a vida nessa obra-prima
Para agradecer tua rima
Com força, coração
Dedico a ti os sentimentos dessa oração
Com textura de sonho realizado.