domingo, 28 de dezembro de 2014

Chorar

Bem quietinho num canto
Discretamente abalado
Fechou-se!
Quis propor sua solução
De imediato o clima exterior à casa também fechou-se
As luzes apagaram-se
Os olhares desviaram-se
As vozes cessaram-se
As horas confundiram-se
Tudo terrivelmente egoísmo
Num gesto espantosamente aliviado
Abriu-se novo instante!
Para o novo
Fechou-se!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Modulação fúnebre.

Um baque abismal
Duro choque - cara no chão -
Sujeição temporária às gargalhadas
Pelo trágico, o indecente
A sua tormenta não descansa!
Aprumar-se é um engano
Se tendes a seres incoerente
Ao encontro, o pranto
E a insônia
O oposto sendo o medo atraente
De uma parte de um todo que não sonha
Vestes a sujeira
Ao percepcionar a realidade do pesadelo
O olhar que não sorri, aprisiona
Enterra as cabeças, sendo das próprias ideias
Os primeiros enterros.









domingo, 23 de novembro de 2014

Menina Rosa

Intensamente meiga em lábios carnudíssimos
Olhando-me e fixando-se mente adentro
Não faz mendigaria!
Espalha todo seu encantamento
Analiso-te contemplando-te
Assumindo-me sorridente
Doravante sorridente
Por mais passos cativantes
Assim crias em meu pensamento
E voas adiante.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ozric Tentacles - Mysticum Arabicola

Deitado numa cama de areia movediça
Minha alma desliza
Sempre adentro de um núcleo perigoso
Hostilmente venenoso
Indesejado por ele próprio
E degenerado
Prejudicial a poros cansados
E ouvidos egoístas
Mecanicamente calculados
Para mentes fascistas
Sonhos tacitamente apagados
Em olhares amedrontados
Tende-se à tontura como esboço
Do fracasso apresentado pela vida
Não há sorte para os condenados!
Só dos “loucos” ouve-se alegria.






segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ciclo depressivo

Ao longo dos meses...
O arquejo do corpo entrega
Todo consumo excessivo de insônia
A ânsia conserva a cama
Para dela a saída ser medrosa
O contágio é certo aos sobreviventes
Quando neles o sentimento estanca
E a vida pede uma revista
- O que não funciona merece a morte à melancolia –
A causa incompreendida não descansa
A fúnebre decisão emocional apenas estaciona
Temporariamente,
Sobre o ímpeto do desespero
O conforto conflituoso cansa por inteiro
Os prematuros acordos de confiança.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sopro

Quando eu pensei estar transferindo-me correto
Já estava transferindo-me errado
Pois não sabia dos errados passados
Tampouco deles o futuro...
O Futuro hereditário!
Por eles o conflito de justiças
As causas e as mortes
As lutas e as sangrias
As atormentadas lacunas esquecidas
As doenças implantadas no calvário

- Conscientemente mal orientado
Sujeitado para a gula homicida
Degenerado pelo cansaço
Em repouso cognático perante a vida
Fui um na multisolidão
Banhado de demasiado sono e ilusão!
Propiciando a cômoda fantasia
A inação dos corpos mais agitados
A inação por vezes da vida
A incompreensão da miséria e do descaso -.

Efeito moralmente deturpado
Emergido em última garantia
Condiz à certeza de “alguns”
Mediante desejo próspero comum
De sentir-se em harmonia
À vista da morte sem voz dos malogrados.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Tênue

Ávido para as mantas tóxicas, envolto.
Ardor no frio
À condição de mesmice crônica
Talvez buraco, talvez amigo.
O novo porventura envelhecido
Por ora o vício não engana!
A oposição intrínseca não transcende para o alívio
O ato desmorona!
Sobre os sentidos, o sentimento cansa.
A densidade que muito aperta, aprisiona!
A mão caleja o rosto
No corpo, a ausência encontra
Entre pulmões,
As confusas causas:
Compensação, insônia e desespero
Entre os mesmos, tênue sossego.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Bom tempo?

O momento do ermo soluçar as horas
Sem fantasia de prejuízo
Atenção profunda para o compassar do ritmo
Do transe, do abismo
Evidenciando torrentes líricas envolventes
Entrementes, males incoerentes
Pertinentes ao cansaço
Descaso, desvio...
Outrora males confusos, surtos, suspiros...
Sapiências intransigentes em casos de derrotismo
Quiçá transgressões esperançosas
Anulam-se no tempo,
Ao carinho sincero de um martelo
Numa têmpora rochosa
Além da incerteza de juízos
- Se dos males fui tão bom amigo
Sem o consolo aveludado dos poucos bons convívios,
Nem sempre o fraquejar do desespero conforta-
Isso o ermo traz-me lírico
Quando penso no seu tempo
Mediante suas permissões tendenciosas.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Trágico e complacente com o idiotismo moral
Porra louca de mentiras póstumas
Decomposto falido e perturbado
Pregas soltas! Dilacerado!
Fraco mediante o despejo demasiado
Vazado de si com o cheiro de cagado.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Resistência ambígua

Um deslize oportuno pelo chão frio
Sacrificando a elegância humana
Trata-se também de deselegância
E de uma contraproposta de postura
Uma mudança significativa do signo moral
Para o chão pisado diariamente
Perigosa relação na altura da sola dos pés
Onde aparenta ser sujo
É realmente diferente
As perspectivas estranhas aproximam-se
E o cuidado aumenta
Muito do que rasteja é corpo peçonhento
Há violência que espana tudo sorrateiramente
O chão pode tornar-se via de fluxo intenso
Entre você e chutes violentos
A força de resistência
E a destreza do arrasto umbilical conduzem parcialmente
Para um nível subterrâneo
Tens assim o ralo periscópico
E a chance de continuar...

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Às claras

Sono inapetente
Eu vago, tu vagas
Ambos antagônicos
Na tensa paciência
Geras às claras uma permanência cômica
Onde pra si perde-se o próprio abrigo
Carência atônica
Desequilibrada
Atrofia o resguardo merecido
E a cama não funciona!

domingo, 22 de junho de 2014

Cálculo

Consistência destemida da busca
Talvez não queiras algo atingível
Agora entendo o cálculo
Basta apreender para o futuro ato
E que ninguém se engane
Porque só casaria com a afã certeza
Caso a perspectiva confusa exista
Da forma que não se encontre

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Palcos contaminados

São todos os palcos contaminados
Inflamadores do frágil agir
Castram a tudo
Para pedir devota esperança
Condições absurdas para a consagração
De quem será?
Terror e angústia
Sempre há medo
Sujeição
Atração
Traição
Sofrimento
Pois se não falares por si,

Só ouvirei silêncio.

Convenções noturnas

Um grupo de sósias de si
Apostando alto em cada olhar sexual
Um fascínio social agudo
Alastrando as multidimensões
Emoções para as mesas cheias de emoções
Suas histórias peculiares reverberam outros sons
Todos provocam o corpo
As intenções são fatos
Prazeres fatídicos fora dali

Mas ali compensa.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Desconstruir

Retomar de baixo, por cima
Desenquadrar sem arredondar
Sem ter medo parasita na consciência a perder
Renascer de todas as mortes do saber
Redefinir fluxos infinitos sem pensar
Demolir para equilibrar
Construir para combater
Transcendente maligna sem saber
Outrora benévola sem pensar
Outrora outra qualquer sem formato lírico dégradé.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Corpo frágil

A sombra esquenta na medida dos meus desconfortos
E quando saio, o sol me mata
A partir da morte, a luz me rasga
Por dentro o imundo estraçalha em cacos fatalmente pontiagudos
Corta-me a fala, todo meu pensamento
Descompassa a trajetória da vida e do momento
Sou virado pelo avesso de tragédias superadas
Sem corpo firme eu me introduzo por fortes sangramentos
Conturbo-me em eternos sofrimentos de causas não lutadas,
De derrotas calculadas
São gigantes todos os lamentos sentidos
Depois que o corpo faz falta.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Chupadores de ossos fenomenais.

Acaba o fim de uma dúvida numa penetração
Aprofunda seu arbítrio em condição
Seu alimento subjetivamente literário
Posto na nova vanguarda literária
Aprofunda-se de vez
Sua cabeça incha para direcionar o tão novo
Ao ponto certo do desequilíbrio corporal de uma nova postura
São novas ideias para novas torturas
Miscelânea confusa e embaçada ainda
Deformada atração psicopata
Desgraça e salvação dos estudos de alguns
Nova vida e nova ilusão para fins comuns.





quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Agressão de um contra o mesmo um

Bateu! Mas não levou...
Mais profundamente, bateu mais forte ainda
Pancada seca na fantasia à dois
É a inverdade que chega esmagando os dois
Corpos deformados pela agressão
Todo o peso do mundo nas cabeças pelo chão
Pedaços do retrato da covardia
Hipócrita diversão de terceiros
Todos movidos pelo medo de terceiros
São os primeiros a infringir as regras fantasmas da vida.









terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ContraTemposFétidos

Pairando em grama de fezes
Com a memória odorizada de lixeira cheia
Desvairado conquistador de podres maçanetas
Põe a boca na boca da vala
Cheira o decomposto corpo que sustenta a náusea
Admirando todo o chiqueiro
Dejetório de quem não tem dinheiro
De quem precisa sujar-se fora de casa
Na latrina cosmopolita de doenças moribundas
Seu banho é repleto de sebosos desesperos
Na poça fétida revela-se seu medo
O egoísmo indigerível!
Mas seu olfato é estranhamente amigo
Do chorume que exalas
E o paladar para moscas azuis
Vomita sangue coagulado,  vermes e veneno
Faz vazio por dentro
Abrindo espaço para sua bizarra congestão
Permanecendo deitado sobre o esgoto da situação
Ele esgotado não fala nada.
Seu cariado sorriso não é caridade
É a idade da morte que o aguarda.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Início e fim

Fim
Vai-se uma dúvida
Vai-se uma súplica
O Corpo sísmico
Via corpo calmo
Abre espaço
Deposita
O velho esvazia-se
 O novo aponta o novo
Início













sábado, 4 de janeiro de 2014

Doravante

Dor recue
Avance a possibilidade da cicatrização imediata
Adiante
Use para seu relógio psicológico
Alcance
E cuide logo da  etapa aguda da exaustão paralisante
Avante dor
Mas para fora e para canto demasiado longe
Almeje
A minha falta, o meu equilíbrio
Ame
Sua própria exclusão do meu caminho.