terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ozric Tentacles - Mysticum Arabicola

Deitado numa cama de areia movediça
Minha alma desliza
Sempre adentro de um núcleo perigoso
Hostilmente venenoso
Indesejado por ele próprio
E degenerado
Prejudicial a poros cansados
E ouvidos egoístas
Mecanicamente calculados
Para mentes fascistas
Sonhos tacitamente apagados
Em olhares amedrontados
Tende-se à tontura como esboço
Do fracasso apresentado pela vida
Não há sorte para os condenados!
Só dos “loucos” ouve-se alegria.






segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ciclo depressivo

Ao longo dos meses...
O arquejo do corpo entrega
Todo consumo excessivo de insônia
A ânsia conserva a cama
Para dela a saída ser medrosa
O contágio é certo aos sobreviventes
Quando neles o sentimento estanca
E a vida pede uma revista
- O que não funciona merece a morte à melancolia –
A causa incompreendida não descansa
A fúnebre decisão emocional apenas estaciona
Temporariamente,
Sobre o ímpeto do desespero
O conforto conflituoso cansa por inteiro
Os prematuros acordos de confiança.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sopro

Quando eu pensei estar transferindo-me correto
Já estava transferindo-me errado
Pois não sabia dos errados passados
Tampouco deles o futuro...
O Futuro hereditário!
Por eles o conflito de justiças
As causas e as mortes
As lutas e as sangrias
As atormentadas lacunas esquecidas
As doenças implantadas no calvário

- Conscientemente mal orientado
Sujeitado para a gula homicida
Degenerado pelo cansaço
Em repouso cognático perante a vida
Fui um na multisolidão
Banhado de demasiado sono e ilusão!
Propiciando a cômoda fantasia
A inação dos corpos mais agitados
A inação por vezes da vida
A incompreensão da miséria e do descaso -.

Efeito moralmente deturpado
Emergido em última garantia
Condiz à certeza de “alguns”
Mediante desejo próspero comum
De sentir-se em harmonia
À vista da morte sem voz dos malogrados.