sábado, 10 de novembro de 2012

Pensar breve

Sobre tudo,
Tens à vista a imposição
De quem te banhou
E os abraços para arbitrar
A liberdade que não conhecestes
Foram por vezes, amor!
Se me entendestes...
Não te demonstro nada
A deficiência é construída
E nada faltará
O estado que se encontras
Poderá ser o futuro que te aguarda
Despreocupante!
E a liberdade questionada
É só um pensamento temporal
Que também foi construído
E abraçado com amor arbitrário
E impositor.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Musicalmente sexual

Não me quiseres por saberes sempre
Os solfejos íntimos das minhas canções
As variadas rimas propositais
Minhas vozes líricas e teatrais

As odes simples que fiz
Para puxar-te suave no colchão
Fazendo-te um belo refrão
Com olhar afinado de solista

Não me quiseres, assim decorando-me!
Para teu acervo de assobios matinais
Só me queres musical em seu campo harmônico distante

Esperarei que me queiras - novamente carnal - onde executarei
Minha performática penetração timpanal
E poderás anunciar teu falsete num gozo, num belo dueto.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Não quero que as minhas plantas morram cedo.


Somos os responsáveis
Produzimos os adubos
Artificialmente!
Os sentidos máximos, os reagentes
Onde procuramos nos manter
Afastamos a raiz defeituosa
Os males recordados
O problema crônico
A dor de cabeça
A cabeça da loucura e da derrota
E fingimos ser verdes e naturais
As plantas nos regam
Numa depressão profunda
Armadas de sentimentos fatais
Na natureza limitada dos nossos vasos
Cheios de terra suja de outrora
Cresceremos verticalmente desiguais
Tocando o próprio teto
A própria imagem
Em folhas finas
Com texturas definidas
Abrindo as bocas para o sol matinal
Banhados pela sombra vespertina
Enchendo os caules de beleza
Para morrermos secos
Enterrados em terras marginais.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Anoitecer-te


É só no momento
Entre tantos muitos
De leve brasa
E uma forte brisa
Que posso anoitecer-te!
Só cairei para iluminar-te
Tocar-te escondido
Teu rosto e tua vaidade, ainda mais!
Na coberta que te envolvo
Teu sono é meu
E teu corpo agradece
Em cada bocejo que entregou-me
Eu os vivo por completo.
No céu limpo
Onde estou vivo!
A minha forma tu reconheces
Venho para agradar-te
E logo acordarás com sede
Longe da minha sombra
E dos meus olhares
Logo é dia, É saudade.
A noite, em breve
É só no momento
Entre tantos muitos
De uma leve brasa
E uma forte brisa...