domingo, 14 de abril de 2013

Além da melodia corporal

Vi além da sua melodia corporal
- Vi os bicos dos seus seios
Tua perna
Vi a perna que balançava inquieta roçando-me a coxa
Uma louca
Uma delícia
Sei que nada prometias
Mas a tua língua fazia-me esquecer
E por dentro eu vi tudo
Mais fundo e mais fundo
Um calor profundo
Levitou-me ao céu
E fez minha pele derreter
Minha razão quebrada permitia
Sua mão cheia de prazer
Abraçando-me e depois colando a boca
Pedindo algo para beber -.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Pedido atencioso

Se perderes os sorrisos
Não encontrarás por mais corajosa,
Sua parte sublime
Sua entrada apoteótica para os olhares caídos
Peço-te que sejas mais forte e agarre-os
Como comida para sua vida
Enchendo-se de fartura delicada
Não precisarás dizer-me que tudo ficou escuro
Teus sorrisos superam
Todo e qualquer escuro
Nas confusas nuvens que molham
Poderás lavar teu sofrimento agudo
E carinhosamente matar o seco da garganta
Brutalmente apaixonada.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Que fique entre nós.

Vou contar-te
Mas que fique entre nós
E que em nós fique tudo
Para que longe fique todo o abalo
Com distância segura dos medos
Com distância dos descasos
Acasos que culparemos
E as invejas do tempo
Tratando-as como fonte de aconchego
E cuidado dos agrados
Só dos agrados que merecemos
Dos nossos, nossos momentos
Feito amor
Feito amantes e amados
Onde poderemos respirar
Fazendo calmaria
Com o cheiro das matas
A cor bonita
Como uma caminhada pela alvorada
Conhecendo o primeiro calor do dia
Onde ali sentiremos
O vento, a nossa casa
O nosso templo
Levando-nos à nosso caso
E poderemos desapertar o que dói
Aliviando-nos por dentro
A pura amizade que temos
O descanso necessário
E que fique só entre nós
Em nosso canto

Eu já contei...

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Aqui, no fundo...

Aqui! Vejo-me sentado, quieto
Luz das janelas para mim
Não estou aberto, estou escuro
Sinto-me sombrio
Faço-me pouco uso
Dor nas costas e irritado
Afogado em mar profundo
Mar do abrigo, velho amigo
Vendando-me da verdade, do ar puro
Tenho coragem, tenho!
Grande para aceitar parado
Pegando o curso errado e afundando
E a tosse que não passa, o desconforto
Não é vaidade do meu corpo
Nem dos males que envolvo
Tampouco choro convencido
Pode ser falta do seu canto
Onde fazes a falta não possuo mais nada
Só engano.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Vão momento

No vão é vida ainda
E descarece de luz da matina
Para o além acomodar fora das paredes
Invisível no céu e no mar
É desfruto do quase morto
Retrato sem rosto
Cama sem corpo
Vácuo valioso em grande escala de nada
É vida de algo que precisa do vazio
Do concerto de silêncios destemidos
Não é cova nem abrigo
É a dormência do alívio
A falta de chão do voo inseguro
Por nuvens e soluços infinitos.