quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sem título - Henry David Thoreau

" Nunca me seja negada, ó chama radiante,
Tua solidariedade tão cara e vivificante.
Só minha esperança é que assim a altura inunda?
Só meu destino é que na noite assim se afunda?
Por que foste de nossa casa escorraçada,
Tu, sempre bem-vinda e por todos amada?
Seria tua existência mais uma fantasia
Para a ordinária luz de nossa vida vazia?
Teu vivido fulgor manterá as secretas conversas
De nossas almas afins, embora tão diversas?
Bem, estamos seguros e firmes sentados agora
Defronte da lareira, sem as sombras lá de fora,
E onde nada alegra ou entristece, mas a chama
Aquece pés e mãos — e nada mais reclama;
Dispondo de tão utilitário e compacto monte,
Podemos todos nos sentar e dormir aí defronte
Sem temer que fantasmas de obscuro passado resvalem
Até nós, e ao lusco-fusco do velho fogo a lenha,
conosco falem. "

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